Um minuto antes ele havia rogado com tanta força para ter silêncio, paz, sossego e afastamento. Agora ele encontrava-se só, não apenas de corpos, mas de espírito também. Não era o deserto, não estava em meio ao oceano, em uma ilha deserta ou qualquer coisa parecida. Lá não era quente nem frio (na verdade, não era possível identificar um clima); não era claro nem escuro e nem tinha estrelas, nem sol, nem lua. Não tinha sons nem pessoas, não havia almas. Lá não era habitado, não havia construções, carros, poluição e nada de bom também. Lá era o nada. — Que coisa estranha! — Ele pronunciou em voz alta esperando pelo eco que não veio. — Agora mais estranho ainda. — Outra vez... Nada.Ele ficou em silêncio no nada e olhando para o nada. "Espera. Estou sentindo algo", ele pensou. Não era (ainda) doloroso. Era algo como... Nada? Não, dessa vez não. Decerto, dava um desânimo, pois ele quis permanecer preguiçosamente reprimido, mas, ao mesmo tempo, sua mente tinha inúmeros flashes de lembranças que pareciam ter acontecido há tanto tempo que mais davam a impressão de ser um sonho. "Solidão", uma voz ecoou em sua cabeça. E sem querer ele sabia que aquela voz estava certa. "Pelo menos não estou sozinho", ele pensou, "que tal se você trouxesse alguns amigos para cá", ele sugeriu à solidão. No início continuou como estava, mas a cada minuto que passava a presença da solidão aumentava. Mais lembranças. Mais solidão (e agora já doía). Medo (mais solidão). Angústia (sua mente começava a pirar). E por último, de mansinho e sorrateiramente, a Saudade chegou e nesse momento já sufocava de tal maneira indescritível. "Acabou?", ele perguntou aos prantos.Devagarinho veio o Arrependimento para completar a lista de melhores amigos da Solidão.— Chega! — O berro fora sufocado pela meia luz do abajur.O rapaz abriu os olhos tão rapidamente que por um momento não entendeu o que se passava. Aos poucos reconheceu seu quarto e que estava deitado em sua cama; deu uma olhadela no relógio que marcava 1:35hrs da manhã. Olhou para o lado e observou sua esposa que dormia serenamente; abraçou-a para garantir.— Ufa! — Suspirou de alívio. — Foi só um sonho. Apenas um sonho. Nunca mais, nunca... — As últimas palavras não passaram de um murmúrio interrompido pelo sono.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
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