quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Destinatário: você!

Ei, como você está?Eu realmente queria saber, mas como provavelmente e com 99% de certeza essa carta não chegará até você, creio que eu não vou ter notícias tão cedo.Se for para ser sincera, pouco sentido faz essa carta, ou esse rascunho, já que talvez ninguém leia e não passe de palavras perdidas nesse caderno. Realmente não faz sentido tanto quanto o que se passa comigo agora.Esses dias atrás, naqueles minutinhos de insônia que eu costumo ter entre deitar e sonhar, eu me peguei imaginando como seria se algumas coisas tivessem sido diferentes; e como seria se eu tivesse agido a tempo, porque agora parece tudo perdido e vão. Não sei exatamente porque, mas é essa a impressão que eu tenho.E se eu tivesse falado? E se eu tivesse calado? E se eu tivesse me arriscado? E se eu tivesse me entregado? E se...? E se...? E se...? Isso está me torturando lentamente. Não posso dizer se foi egoísmo ou amor próprio em excesso, de qualquer maneira me prejudicou.Desculpe-me por isso, por estar tomando esse tempo todo escrevendo enquanto devia estar agindo, mas você sabe como não sou boa com as palavras quando elas têm de ser ditas. Desculpe-me por ter que fazer você ler todas essas bobeiras subjetivas e desanimadoras que eu transformei em algo mais concreto que as conversas que eu tenho com você em minha mente, apesar de que você não as lerá (acho que já disso alguma coisa sobre isso). Perdoe-me também pela falta de entusiasmo, coragem, ousadia, pela timidez exagerada. Desculpe-me!Tenho a impressão de estar me tornando cada vez mais humana quando sinto essa coisa, (esse sentimento), irônica e despropositadamente. Entretanto, continuo andando em círculos e vivendo esse ciclo vicioso: gostar-desgostar-gostar. E preciso admitir: eu gosto dele.Meus conflitos internos não me deixam decidir se quero ou não sentir, mesmo sabendo que quero e gosto de ter comigo essa "coisa". Preciso aprender a me desapegar de algumas coisas: medos, amores mal resolvidos, decepções, receios.Percebi hoje (ontem, anteontem, semana passada... Quem sabe?) que preciso começar a fazer algumas coisas sozinhas, porque ninguém irá fazê-las por mim. E quem diria, que só a essa altura do campeonato, eu iria começar a agir como uma menina crescida? Talvez seja esse o problema: não sou mais uma garotinha e ainda não sou mulher. Dá para entender?Preciso admitir, na verdade já estou admitindo, que esses “probleminhas” emocionais, espirituais, sentimentais são um tanto quanto difíceis de superar; não quero nem pensar o que me espera mundo afora. De qualquer modo, acredito que Deus tem um propósito para mim que talvez não seja esse de ter alguém, agora, ao meu lado, se é que você me entende.Apesar dos apesares, cheguei à conclusão de que cresci, pois veja bem: eu nem estou chorando. E nem quero! (imagine o quanto estou contente por isso e talvez você até ria de mim e para mim). A propósito: não estou sendo irônica.Novamente, me perdoe por essa carta (desabafo) que você provavelmente não irá ler.Beijinhos,Carol.PS: Não sei se você também reparou, mas quase não faz sentido todos esses parágrafos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sabe aqueles momentos em que você fica lamentando-se do que não fez daquele relacionamento que não deu certo, da dor que você sentiu por tanto tempo, das palavras que não foram ditas...? Então, são exatamente neles que você perde mil oportunidades, por causa de uma que não foi como você esperava.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Oh! Solidão

Um minuto antes ele havia rogado com tanta força para ter silêncio, paz, sossego e afastamento. Agora ele encontrava-se só, não apenas de corpos, mas de espírito também. Não era o deserto, não estava em meio ao oceano, em uma ilha deserta ou qualquer coisa parecida. Lá não era quente nem frio (na verdade, não era possível identificar um clima); não era claro nem escuro e nem tinha estrelas, nem sol, nem lua. Não tinha sons nem pessoas, não havia almas. Lá não era habitado, não havia construções, carros, poluição e nada de bom também. Lá era o nada. — Que coisa estranha! — Ele pronunciou em voz alta esperando pelo eco que não veio. — Agora mais estranho ainda. — Outra vez... Nada.Ele ficou em silêncio no nada e olhando para o nada. "Espera. Estou sentindo algo", ele pensou. Não era (ainda) doloroso. Era algo como... Nada? Não, dessa vez não. Decerto, dava um desânimo, pois ele quis permanecer preguiçosamente reprimido, mas, ao mesmo tempo, sua mente tinha inúmeros flashes de lembranças que pareciam ter acontecido há tanto tempo que mais davam a impressão de ser um sonho. "Solidão", uma voz ecoou em sua cabeça. E sem querer ele sabia que aquela voz estava certa. "Pelo menos não estou sozinho", ele pensou, "que tal se você trouxesse alguns amigos para cá", ele sugeriu à solidão. No início continuou como estava, mas a cada minuto que passava a presença da solidão aumentava. Mais lembranças. Mais solidão (e agora já doía). Medo (mais solidão). Angústia (sua mente começava a pirar). E por último, de mansinho e sorrateiramente, a Saudade chegou e nesse momento já sufocava de tal maneira indescritível. "Acabou?", ele perguntou aos prantos.Devagarinho veio o Arrependimento para completar a lista de melhores amigos da Solidão.— Chega! — O berro fora sufocado pela meia luz do abajur.O rapaz abriu os olhos tão rapidamente que por um momento não entendeu o que se passava. Aos poucos reconheceu seu quarto e que estava deitado em sua cama; deu uma olhadela no relógio que marcava 1:35hrs da manhã. Olhou para o lado e observou sua esposa que dormia serenamente; abraçou-a para garantir.— Ufa! — Suspirou de alívio. — Foi só um sonho. Apenas um sonho. Nunca mais, nunca... — As últimas palavras não passaram de um murmúrio interrompido pelo sono.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eu não tenho problema com os seus sorrisos, suas caretas, lágrimas, seus olhares raivosos, suas palavras insensíveis. O que me mata é o seu silêncio, sua falta de expressão; isso sim acaba comigo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Complicada, mas não impossível


Querido, eu sou ariana: sou decidida, gosto do concreto, do verdadeiro e do inteiro. Então não me venha com meias palavras, meias verdades e “portas entreabertas”: ou é oito ou é oitenta. Não gosto dos joguinhos, das indiretas e todas essas bobeiras, seja claro, mas também não quero o óbvio.  As coisas fáceis não me agradam, mas as quase impossíveis me cansam, me esgotam, e me fazem querer desistir. Surpresas, palavras inesperadas, os gestos certos na hora certa, espontaneidade é o que eu espero.Sou determinada, sei o que quero e o que gosto, mas não espere que eu tome a iniciativa; isso definitivamente eu não irei fazer (timidez, medo, orgulho? Quem sabe?). Correr atrás não é o tipo de coisa que eu faça, mas deixar tudo escapar seria tolice demais. Se eu quero, não vou ficar de joguinhos, não vou fingir: faça a sua parte, que eu farei a minha.Sabe aquelas aventuras malucas? Então, eu gosto delas. Barreiras e obstáculos? É sempre um prazer derrubá-los. Tenho anseios, sonhos e receios, por isso não me julgue por muitas vezes pensar demais antes de seguir em frente.Eu, definitiva e honestamente, adoro a liderança, mas mais do que ninguém sei que ela não me adora. Essa história de regras e normas não me agrada, a não ser que eu as tenha feito: afinal, quem não gosta de tudo ao seu jeito?Sou briguenta, implicante, mas sei amar e deixar as mágoas de lado. Quando me apaixono, eu realmente me apaixono; e quando amo, me entrego mais do que deveria. Pense como quiser, aja como quiser, só não seja hipócrita ao ponto de brincar comigo e jogar sujo. Não sou feita de pedra: eu choro, eu sorrio, eu sinto raiva, e aqui dentro, de qualquer maneira, tem um coração batendo...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Uma hora ou outra...

Depois de tanto insistir, e passados trinta anos de procura ela acabou deixando tudo de lado. Andava pela rua em passos ritmados, leves e lentos. Seus olhos procuravam algo interessante nas vitrines das mesmas lojas da cidade. Sua mente vagava tanto quanto seu corpo fazia aquilo, naquele momento. Em meio aquela multidão entre olhares despercebidos e apressados, que corriam contra o relógio no horário de pico, e sem procurar, sem perceber, sem querer e sem tentar a mulher encontrou. Não foi mais um daqueles olhares descabidos com que ela estava acostumada; foi um encontro desproposital (proposital, quem sabe?) que sustenta as estruturas. Selado na hora certa, sem que nada fosse programado, combinado ou datado. Simplesmente, aconteceu. Então, sem entender ela encontrou aquele olhar que todos nós procuramos por tanto tempo. O olhar que um dia faz chorar, gritar, pedir, decidir, mas que no fim de tudo você sabe que estará lá, bem ao seu lado, naquele cantinho confortável, confortando e cuidando de você. Portanto, não procure, não tente: as coisas acontecem quando têm de acontecer. Mas deseje, almeje, acredite, e quando acontecer empenhe-se, porque esperar sentado não resolve, as coisas não caem do céu!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Rotina, mesmice, costume... Chame-a como quiser!

Hoje eu acordei em um daqueles dias em que a rotina bate na minha porta e eu, educada e imperceptivelmente, tento expulsa-la.Talvez acordar cedo e tomar aquele café amargo renegado todos os dias, praticar algum esporte, começar a ler um livro novo, ligar para velhos conhecidos, mudar os assuntos, pensar em novas possibilidades, cozinhar algo diferente, pintar o cabelo, afastar o que há de ser afastado, comprar roupas novas, jogar a velhice e a mesmice na lixeira. Reorganizar, desfazer, refazer, começar, terminar, recomeçar, ouvir, sentir, falar, xingar, extravasar... Tantas coisas inusitadas a se fazer e cá estou eu, rotineiramente vivendo a uniformidade dos meus longos e preguiçosos dias, escrevendo sobre os mesmos assuntos, preservando os mesmos sentimentos e cultivando minha sagaz e velha companheira rotina.