Mais um caso horripilante de um assassinato a sangue frio chegou para assustar a população da pequena cidade de Long Branch. Nesta madrugada de quinta-feira os policiais da cidade encontraram o corpo de Ryan Lovewook (47), médico que vinha sofrendo há dois meses ameaças anônimas de morte. Após uma denúncia, também anônima, o corpo foi encontrado intacto em sua própria cama, sem sinais de violência, os exames comprovam que o doutor morreu por envenenamento. Apenas uma rosa vermelha com um pequeno pedaço de papel amarrado por uma fita branca, com as iniciais “TPA” foi deixada propositalmente para trás, o que nos leva a acreditar que essa seja a marca registrada do autor do crime, já que esse é o segundo caso com o mesmo símbolo, e a única pista para os nossos investigadores. Serão suas iniciais? Ou apenas uma brincadeira desrespeitosa feita pelo criminoso?
— Brincadeira desrespeitosa? — A pequena e aparentemente indefesa Laura Parker sussurrou para si mesmo. — Aqui se faz aqui se paga.
A garota tomou o último gole de seu café amargo e jogou o jornal que acabara de receber no lixo. Calçou as botas, o casaco e as luvas e saiu pela pequena cidade onde morava. O dia estava fechado: vento frio e sol ofuscado pelas nuvens. “Perfeito” pensou Laura. Tirou do bolso de seu casaco um maço de cigarros e acendeu um deles.
Laura pegou-se a observar a movimentação das ruas de Long Branch, as pessoas que corriam de um lado para o outro, crianças chorando, rindo, casais felizes, e seu cigarro sendo sugado pela força de seus pulmões. Nesse mesmo momento a garota pensara em seu namorado, o encantador James, e como ele o fazia tão feliz. Amor... James era o último sinônimo de amor que existira para ela. Seus pais se foram, e como filha única, ele era o que restara, mesmo que no fundo a menina soubesse que James não era lá aquelas coisas.
Ao terminar o cigarro, a necessidade de tomar outra xícara de café a consumiu. É aquele velho ciclo conhecido pelos viciados: café cigarro café... Levantou sem muito ânimo e dirigiu-se a pequena lanchonete que havia por ali. O vento fazia com que seus cachos dourados ficassem levemente esvoaçados, o que realmente a deixava irritada. “Se soubessem o trabalho que tenho para deixar meu cabelo cacheado e o quanto odeio esse cabelo liso natural”, pensou a loira.
E se realmente existisse uma maneira de parar o mundo, nesse momento o mundo da pequena Laura pararia: James e uma garota estavam entre beijos e carícias. Ódio, dor, decepção, todo o seu amor jogado fora...
— Vingança. — Foi o que saiu de sua boca sem que ela percebesse.
Mais discretamente do que entrara Laura retirou-se do recinto. Um bolo havia se formado em sua garganta e sua vista estava embaçada. Arrastou-se até seu pequeno apartamento e jogou-se na cama, onde permaneceu o resto do dia passando e repassando os pensamentos mais inimagináveis que qualquer um de nós poderia ter.
[...]
— Sinto muito lhe informar querida, mas James fora atropelado esta tarde. Ele está internado em estado grave, e gostaríamos que você viesse visita-lo antes da cirurgia. — A voz disse do outro lado da linha.
— Estarei aí em meia hora.
Levantando-se de um pulo, Laura ajeitou o que achou necessário dentro de sua bolsa. No caminho passou em uma floricultura e comprou uma única flor. A garota desceu do carro e dirigiu-se a recepção do hospital.
— Pois não. — A recepcionista disse educadamente.
— Evans. James Evans. — A garota disse parecendo angustiada.
— Quarto 415, 5° andar, segunda porta a esquerda.
— Obrigada. — Ela tentou sorrir.
Encaminhou-se para o elevador batendo o salto de suas botas. Vestida com o melhor casaco, bem perfumada, cabelos arrumados em cachos feitos cuidadosamente por ela mesma, olhou-se uma última vez no espelho do elevador e retocou o batom vermelho em seus lábios. A porta do elevador abriu-se e Laura retirou-se dali, localizou a porta do quarto 415 e antes de girar a maçaneta fez questão de ajeitar suas roupas.
James estava acordado, mas aparentemente impossibilitado de falar. Laura sorriu para si mesma, e olhou nos olhos de James. Sentou-se ao seu lado na cama, acariciou seu rosto levemente e tornou a sorrir.
— Você não faz idéia do quanto eu o amo. — Ela disse para James que a olhava sem muita vida. — Você era tudo que eu tinha e me trair foi o pior erro que você pode cometer. Você era tudo o que me restava: meu pai foi morto por um policial atingido por uma bala perdida, minha mãe morta por um médico incompetente.
A garota levantou-se e abriu a bolsa, retirou uma seringa e um frasco, e ainda, cuidadosamente, vestiu suas luvas.
— Ironia ambos morrerem não? — Ela conversava sozinha. — “Tudo por amor” — Ela sussurrou próximo aos ouvidos de James, que não expressava nada. — Quer saber de uma coisa? Eu pouco me importo se descobrirem, eu já não tenho mais nada...
Laura andou até a bolsa de remédios que eram injetados na veia de seu namorado, e colocou na seringa uma quantidade considerável do liquido venenoso que havia no frasco.
— Por favor, não. — James suplicou, praticamente sem voz.
— Agora você fala não é mesmo? — Laura gargalhou cinicamente. — Covarde. — Seu tom de voz mudara de um tom suave e doce, para algo aterrorizante.
Sem pensar duas vezes, a loira injetou o veneno.
— Eu os matei James. O médico e o policial. Vocês todos são uns ingratos. Uns filhos da mãe egoístas. Então morram afogados nesse egoísmo. — Ela sorriu gentilmente. — Eu realmente te amo James, realmente... Estou fazendo isso por amor.
— Va-vaga... — James tentou xingá-la, mas seus olhos fecharam-se imediatamente.
Guardou a seringa e o frasco. Pegou a rosa vermelha e colocou-a cuidadosamente debaixo do travesseiro de James.
— Sinto muito... Querido. — Ela sorriu e retirou-se do recinto.
Jornal Diário – Manchete
Como se não bastasse, o suposto assassino, do qual apelidamos “O Rosas Vermelhas”, voltou a agir. Nesta tarde de sexta ele matou, também por envenenamento, o empresário James Evans (29). O jovem havia sido atropelado na tarde do mesmo dia e a noite ele faleceu por envenenamento, e mais uma vez uma rosa fora deixada para trás. Cabe aos nossos investigadores descobrirem o que parece ser impossível. Enigmas desconhecidos, a não ser por aqueles que já nos deixaram.
— Tudo por amor. — Laura Parker.


3 comentário(s):
Meu Deus, que texto é esse? Sério, até eu que não sou muito fã de romances, enfim (não sei ao certo o gênero textual) adorei o enredo *-* Muito criativo e tocante. Parabéns minha amiga ♥
Sério, essa leitura prende, envolve... Amei (:
muitooooo fodaaaaaaaa Carol, sério, eu ja tava ocm o dedo na boca roendo as unhas kkkkkkkkkkkkk
continue assim, e sempre me avise quando tiver post's assim rsrs
tudo de lindo pra você, beijos, Gabi
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