Ela é esquisita: chuta a quina dos móveis e xinga, derruba as coisas que estão em sua mão sem perceber, fala coisas fora de hora e nem sequer se dá conta disso. Ela ri alto e em lugares onde não deveria, ela não é discreta e fala alto em qualquer lugar. Ela fica vermelha com os elogios que recebe, esbarra nas pessoas no meio da rua e reclama “Ninguém desvia de mim, sempre eu tenho que desviar”. Ela bate de frente com postes, paredes e portas e ainda brinca: “Foi a parede que entrou na minha frente”. Ela tem mania de jogar os cabelos, de bater os pés e batucar os dedos em qualquer coisa plana. Sem se esquecer que ela adora jogar videogames e jogos de ação. E não meu querido, ela não bebe. E também não fuma. Aí você olha e me pergunta: “Onde está essa garota? Porque ‘uma dessas’ não aparece para mim?”. E então eu lhe respondo: “Olhe para o lado, ela está bem aí. É você que está olhando para o lado errado”.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Caminhos do medo
A noite estava gélida, e o vento frio queimava a minha pele. Meus lábios já se encontravam ressequidos e minhas mãos suavam frias. O breu aveludado limitava a minha visão e meu coração palpitava tão forte que era possível ouvi-lo no silêncio que tomava conta da escuridão. De repente o silêncio foi quebrado, e eu podia escutar passos nas folhas secas que o vento espalhara pelo chão. Passos próximos, muito próximos. Meu coração explodiu em desespero, minhas pernas dispararam e eu me peguei correndo daquele vulto aterrorizante que me perseguia. Eu não conseguia identifica-lo. Sua respiração era feroz e eu ouvi os grunhidos que a coisa soltava. Meu peito ardia sem fôlego, e minhas pernas cederam. Caída no chão, eu senti as mãos ásperas e enormes do que me perseguia em meu pescoço. Apertando-me, sufocando-me. Cada vez mais... Cada vez mais...
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Se eu fosse ela, eu já teria me deixado...
O dia acabara de nascer e um facho de luz entrava pela fresta da janela que fora deixada aberta. Uma brisa fresca causada pelo alvorecer entrava levemente pelo pequeno espaço aberto na janela. Com a meia luz que entrava no quarto eu podia observa-la na minha cama. Sua cabeça repousava sobre meu peito de forma serena, e eu sentia sua respiração profunda e lenta batendo na minha pele. Seu corpo quente e seminu jogado ao meu lado, e seu braço envolvendo minha cintura. Os cabelos negros e compridos caiam em sua costa. Sua pele morena me despertava um desejo insensato. A sensação de tê-la ali é verdadeiramente pura. Sentir seu toque, ouvir o som da sua voz, poder tê-la. Mas eu sei que voltarei a faze-la sofrer... Talvez eu não seja bom o suficiente para mantê-la aqui comigo, talvez ela tenha que fazer isso por mim. “Porque você sempre volta, mesmo depois de tudo que eu lhe causei?”, eu sempre a pergunto isso. E ela, com um sorriso sempre maior no rosto, diz: “Não se preocupe, nós mulheres fazemos o que há de fazer. Quando chegar a hora de parar, eu pararei.” É como um ciclo vicioso: ela sempre irá voltar e eu sempre a esperarei, sabendo que ela está disposta a me perdoar. Eu já prometi inúmeras vezes não fazê-la sofrer novamente, e acabo de prometer novamente. Então ela abre os olhos e percebo ao olhá-la que esse tempo todo eu só estive mentindo para mim mesmo.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Querer, sentir e não ter
Eu queria não necessitar desse sentimento, desse desejo que consome meu ser. Eu queria ser capaz de me livrar dessa angústia que toma conta do meu peito e faz minha mente pirar. É como se a cada milésimo de segundo que eu sinta esse desejo meu corpo se retraia de dor, a dor que eu sei que remédio nenhum vai curar. Eu queria ser realmente capaz de entender algo tão possessivo e complexo, porque machuca, mas eu não quero libertá-lo. Chega a ser hilário de tão doloroso. Honestamente, eu queria ser capaz. Eu realmente queria...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Vícios. Pense nisso!
Eles matam, destroem, corroem, exterminam, arrasam, aniquilam, demolem. E você? Simplesmente os constrói.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Rosas Vermelhas
Mais um caso horripilante de um assassinato a sangue frio chegou para assustar a população da pequena cidade de Long Branch. Nesta madrugada de quinta-feira os policiais da cidade encontraram o corpo de Ryan Lovewook (47), médico que vinha sofrendo há dois meses ameaças anônimas de morte. Após uma denúncia, também anônima, o corpo foi encontrado intacto em sua própria cama, sem sinais de violência, os exames comprovam que o doutor morreu por envenenamento. Apenas uma rosa vermelha com um pequeno pedaço de papel amarrado por uma fita branca, com as iniciais “TPA” foi deixada propositalmente para trás, o que nos leva a acreditar que essa seja a marca registrada do autor do crime, já que esse é o segundo caso com o mesmo símbolo, e a única pista para os nossos investigadores. Serão suas iniciais? Ou apenas uma brincadeira desrespeitosa feita pelo criminoso?
— Brincadeira desrespeitosa? — A pequena e aparentemente indefesa Laura Parker sussurrou para si mesmo. — Aqui se faz aqui se paga.
A garota tomou o último gole de seu café amargo e jogou o jornal que acabara de receber no lixo. Calçou as botas, o casaco e as luvas e saiu pela pequena cidade onde morava. O dia estava fechado: vento frio e sol ofuscado pelas nuvens. “Perfeito” pensou Laura. Tirou do bolso de seu casaco um maço de cigarros e acendeu um deles.
Laura pegou-se a observar a movimentação das ruas de Long Branch, as pessoas que corriam de um lado para o outro, crianças chorando, rindo, casais felizes, e seu cigarro sendo sugado pela força de seus pulmões. Nesse mesmo momento a garota pensara em seu namorado, o encantador James, e como ele o fazia tão feliz. Amor... James era o último sinônimo de amor que existira para ela. Seus pais se foram, e como filha única, ele era o que restara, mesmo que no fundo a menina soubesse que James não era lá aquelas coisas.
Ao terminar o cigarro, a necessidade de tomar outra xícara de café a consumiu. É aquele velho ciclo conhecido pelos viciados: café cigarro café... Levantou sem muito ânimo e dirigiu-se a pequena lanchonete que havia por ali. O vento fazia com que seus cachos dourados ficassem levemente esvoaçados, o que realmente a deixava irritada. “Se soubessem o trabalho que tenho para deixar meu cabelo cacheado e o quanto odeio esse cabelo liso natural”, pensou a loira.
E se realmente existisse uma maneira de parar o mundo, nesse momento o mundo da pequena Laura pararia: James e uma garota estavam entre beijos e carícias. Ódio, dor, decepção, todo o seu amor jogado fora...
— Vingança. — Foi o que saiu de sua boca sem que ela percebesse.
Mais discretamente do que entrara Laura retirou-se do recinto. Um bolo havia se formado em sua garganta e sua vista estava embaçada. Arrastou-se até seu pequeno apartamento e jogou-se na cama, onde permaneceu o resto do dia passando e repassando os pensamentos mais inimagináveis que qualquer um de nós poderia ter.
[...]
— Sinto muito lhe informar querida, mas James fora atropelado esta tarde. Ele está internado em estado grave, e gostaríamos que você viesse visita-lo antes da cirurgia. — A voz disse do outro lado da linha.
— Estarei aí em meia hora.
Levantando-se de um pulo, Laura ajeitou o que achou necessário dentro de sua bolsa. No caminho passou em uma floricultura e comprou uma única flor. A garota desceu do carro e dirigiu-se a recepção do hospital.
— Pois não. — A recepcionista disse educadamente.
— Evans. James Evans. — A garota disse parecendo angustiada.
— Quarto 415, 5° andar, segunda porta a esquerda.
— Obrigada. — Ela tentou sorrir.
Encaminhou-se para o elevador batendo o salto de suas botas. Vestida com o melhor casaco, bem perfumada, cabelos arrumados em cachos feitos cuidadosamente por ela mesma, olhou-se uma última vez no espelho do elevador e retocou o batom vermelho em seus lábios. A porta do elevador abriu-se e Laura retirou-se dali, localizou a porta do quarto 415 e antes de girar a maçaneta fez questão de ajeitar suas roupas.
James estava acordado, mas aparentemente impossibilitado de falar. Laura sorriu para si mesma, e olhou nos olhos de James. Sentou-se ao seu lado na cama, acariciou seu rosto levemente e tornou a sorrir.
— Você não faz idéia do quanto eu o amo. — Ela disse para James que a olhava sem muita vida. — Você era tudo que eu tinha e me trair foi o pior erro que você pode cometer. Você era tudo o que me restava: meu pai foi morto por um policial atingido por uma bala perdida, minha mãe morta por um médico incompetente.
A garota levantou-se e abriu a bolsa, retirou uma seringa e um frasco, e ainda, cuidadosamente, vestiu suas luvas.
— Ironia ambos morrerem não? — Ela conversava sozinha. — “Tudo por amor” — Ela sussurrou próximo aos ouvidos de James, que não expressava nada. — Quer saber de uma coisa? Eu pouco me importo se descobrirem, eu já não tenho mais nada...
Laura andou até a bolsa de remédios que eram injetados na veia de seu namorado, e colocou na seringa uma quantidade considerável do liquido venenoso que havia no frasco.
— Por favor, não. — James suplicou, praticamente sem voz.
— Agora você fala não é mesmo? — Laura gargalhou cinicamente. — Covarde. — Seu tom de voz mudara de um tom suave e doce, para algo aterrorizante.
Sem pensar duas vezes, a loira injetou o veneno.
— Eu os matei James. O médico e o policial. Vocês todos são uns ingratos. Uns filhos da mãe egoístas. Então morram afogados nesse egoísmo. — Ela sorriu gentilmente. — Eu realmente te amo James, realmente... Estou fazendo isso por amor.
— Va-vaga... — James tentou xingá-la, mas seus olhos fecharam-se imediatamente.
Guardou a seringa e o frasco. Pegou a rosa vermelha e colocou-a cuidadosamente debaixo do travesseiro de James.
— Sinto muito... Querido. — Ela sorriu e retirou-se do recinto.
Jornal Diário – Manchete
Como se não bastasse, o suposto assassino, do qual apelidamos “O Rosas Vermelhas”, voltou a agir. Nesta tarde de sexta ele matou, também por envenenamento, o empresário James Evans (29). O jovem havia sido atropelado na tarde do mesmo dia e a noite ele faleceu por envenenamento, e mais uma vez uma rosa fora deixada para trás. Cabe aos nossos investigadores descobrirem o que parece ser impossível. Enigmas desconhecidos, a não ser por aqueles que já nos deixaram.
— Tudo por amor. — Laura Parker.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Uma caixinha de surpresas
Um dia você cai, machuca, levante e se recompõe. Aprende e não deixa que os outros passem a “usá-lo” como um brinquedinho sem defesas. Mas existe uma coisa que sempre derruba, sempre machuca, nos faz levantar e cair nas mesmas peças pregadas por pessoas diferentes: o amor. Esse sim é sacana. Vocês não fazem idéia do que ele faz com o ser humano. Ninguém faz a mínima idéia do que ele é capaz. Ele mexe com cérebro, o estômago, as mãos, a mente, o coração e a alma. Por mais que você sempre diga: “Não irei cair mais nessa!”, ele sempre trará algo inusitado para coloca-lo em uma armadilha. E assim você aprende, cresce e talvez no fim, quem sabe, tudo isso tenha um propósito. Um propósito que fará você perceber que tudo valeu a pena. E será sempre assim... Um ciclo vicioso e gostoso, que os vulneráveis seres humanos sempre farão questão de estar nele. Afinal, não é disso que gostamos? Dos vícios?
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Sorriso, ah o sorriso...
O gesto dos lábios para definir as emoções. Alegria, contentamento, satisfação, perversão, ironia, conclusão, inocência. Sorriso, o gesto da paixão. Sim, sorrisos apaixonam. Uma vez que brotam nos lábios de alguém fazem um coração amolecer, e borboletas se esvoaçarem na barriga de outro alguém. Sorrisos são máscaras. As máscaras da solidão, da tristeza, da ilusão. Sorrisos machucam e disfarçam a decepção. Destroem um coração. Sorriso? A magia da sedução.
P.S: Todos os textos postados aqui são de minha autoria, caso contrário darei os devidos créditos.
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