Ficará tudo bem se você não vier hoje. Nem amanhã e depois. Vou ficar quietinha em minha cama observando o tempo passar, ver o sol partindo e a lua chegando em perfeita sincronia.
Não ficarei vazia, triste ou coisa parecida. Pelo contrário, estarei cheia de lembranças para ocupar o tempo. Lembranças boas, claro, já que fiz questão de guardar as ruins em um canto escondido, o qual não quero vasculhar.
A lembrança do seu cheiro e daquele seu sorriso desajeitado quando não sabe bem o que quer. O cheiro do seu perfume e os olhos castanhos cheios de vibração. Uma lembrança do seu cabelo levemente despenteado e da luta incessante que você trava diariamente para mantê-lo ajeitado, me fazendo rir. Sinceramente? Gosto da combinação suave e atrativa entre a cor sucintamente clara e o bagunçado que ele tem. Assim como gosto de emaranhá-los entre meus dedos enquanto nos engajamos naquele beijo que só você sabe como roubar.
Ah, sim! Seus lábios avantajados, atraentes de um modo esquisito e que sincronizam de forma cautelosa, ora, robusta, mas meramente calculada, com os meus lábios.
Vou ouvir todas aquelas músicas da sua banda de rock favorita sem hesitar, sem pestanejar e vou me deixar embriagar pela deliciosa memória de nós dois deitados e tagarelando sobre qualquer coisa sem sentido, mas cheio de significado mesmo que só por um instante.
E se, por acaso, resolver não voltar mais, estarei sorridente como sempre me viu. Talvez pelas lembranças, talvez por saber que terminou tudo bem (comigo). Apenas saiba que, se quiser, não precisa bater; a porta estará sempre aberta para você.

